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O mercado automotivo brasileiro vive uma nova fase de competitividade impulsionada pelo crescimento das montadoras chinesas. No primeiro semestre de 2026, o país registrou 140,8 mil emplacamentos de veículos importados da China, praticamente o dobro do volume observado no mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O avanço é liderado pelos modelos eletrificados, que vêm conquistando consumidores ao combinar preços mais competitivos, maior oferta de tecnologia embarcada e custos reduzidos de utilização.
O aumento da participação de marcas como BYD e GWM provocou uma reação das fabricantes tradicionais instaladas no Brasil. Para preservar competitividade, diversas montadoras passaram a ampliar descontos, reduzir preços de modelos zero-quilômetro e oferecer bônus mais elevados na troca por veículos usados. O movimento criou uma pressão em toda a cadeia automotiva, fazendo com que concessionárias e revendedores de seminovos também reduzissem seus preços para manter o fluxo de vendas.
Especialistas apontam que a valorização dos veículos usados sofreu impacto direto com a queda dos preços dos modelos novos. Como o mercado de seminovos utiliza os veículos zero-quilômetro como referência de valor, a redução nas tabelas das fabricantes acaba acelerando a desvalorização dos automóveis de segunda mão. Ao mesmo tempo, fatores como juros elevados continuam dificultando o acesso ao crédito, especialmente para veículos de maior valor agregado.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelos revendedores de usados, o cenário se mostra favorável para os consumidores que pretendem adquirir um automóvel. Promoções, bônus de troca e financiamentos voltados aos veículos eletrificados ampliam as opções disponíveis no mercado. O programa Move Brasil, por exemplo, passou a contemplar também seminovos elétricos e híbridos flex produzidos a partir de 2024, buscando estimular o acesso à mobilidade eletrificada.
O crescimento das montadoras chinesas também reacendeu o debate sobre competitividade da indústria nacional. Enquanto entidades representativas do setor defendem maior proteção à produção brasileira diante do aumento das importações, fabricantes chinesas seguem ampliando investimentos no país e fortalecendo sua presença por meio da produção local. A tendência indica que a disputa por participação de mercado continuará influenciando preços, estratégias comerciais e investimentos na indústria automotiva nos próximos anos.
Fonte: O Globo, com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e informações publicadas em reportagem de Caroline Nunes e Julia Fernandes, em 19 de julho de 2026.
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